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INTRODUÇÃO
Atos dos
Apóstolos, livro histórico do Novo Testamento,
segundo alguns teólogos, deveria se chamar Livro
dos Atos do Espírito Santo, pois na verdade todos
os seus capítulos são narrativas emocionantes
de uma igreja “menina”, recém-nascida,
cujos fundamentos começam a ser construídos,
bem como a elaboração de seus dogmas fundamentados
por homens que recebiam orientação direta
do Espírito Santo. Ao estudarmos a Teologia Pentecostal,
veremos a manifestação direta da terceira
pessoa da Trindade que, ao iniciar sua obra na Igreja, de
forma miraculosa, com sinais e prodígios, já
estavam ditando como seria o seu crescimento, o seu catecismo,
o seu culto e as suas homilias.
Veremos, no decorrer deste curso, que o nome pentecostes
foi tomado emprestado de uma das festas mais belas do povo
hebreu, para denominar o que viria a ser um dos maiores
movimentos do cristianismo. Mas, para crescer, fragmentou-se
em dezenas de segmentos (que serão vistos em Eclesiologia,
A Doutrina da Igreja), e a palavra variaria para “pentecostal”,
que denomina um grupo de homens e mulheres fervorosos, crentes
de que as raízes da fé que moveu o mundo antigo,
na época dos apóstolos, continua vivo e à
disposição de todos que quiserem. Cremos,
sem dúvida alguma, que no dia de Pentecostes deu-se
a inauguração da Igreja como organização,
pois como oganismo ela já existia entre os doze apóstolos
e o divino mestre Jesus, porquanto as marcas, os sinais
e as manifestações deste dia nunca cessaram.
Trata-se de uma matéria polêmica, pois divide
opiniões. Alguns grupos dentro do cristianismo chamado
evangélico dizem que os dons da glossolalia (falar
em outras línguas, como em Atos 2), poder (curas),
elocução (profecias, interpretação
de línguas etc) foram sinais apenas para aquele tempo.
Dizem que foram sinais para os apóstolos e os que
iniciaram a igreja para que cressem que estavam abalizados
por Cristo ao implantarem o Reino de Deus na Terra. Porém,
o ITC crê, fervorosamente, que tais sinais e evidências
espirituais são para a Igreja de hoje o mesmo que
para a pioneira, apostólica: o poder de Deus para
capacitá-la na implantação do Reino,
bem como para lutar contra as milícias da maldade
que atuam neste mundo tenebroso.
Jesus disse que seus discípulos, em certo momento
de sua caminhada, receberiam um poder que viria do alto
(mostrando que não era vindo de homens, da Terra)
que os revestiria de coragem, bravura, intrepidez, fervor
e uma consciência fiel de que o seu Senhor continuaria,
no meio dos séculos e milênios, sendo o mesmo
“Eu Sou” do passado, pois Nele não há
dúvidas nem sombra de variação. Entenderemos
também que o carisma do Espírito, base da
fé pentecostal, não é a base da salvação,
pois esta vem pela graça, pela fé. E poder
pentecostal, revelado através dos dons espirituais,
é dado para ornar, adornar e revestir a Igreja, não
interferindo na salvação das almas.
Enfim, prepare-se para uma aventura e, como diz o pastor
Marco Feliciano, D.D, presidente do ITC, “é
um caminho só de ida, portanto, sem volta…
Quem experimenta este poder não consegue abandoná-lo
jamais!”
Capitulo.
1
Síntese do Movimento Pentecostal
Nos chamados
“tempos modernos da igreja”, o movimento pentecostal
teve início em 1906, na rua Azusa, 312, em Los Angeles,
EUA, através da instrumentalidade do pregador W.
J. Seymour. De origem batista, teve uma experiência
memorável e transcendental com o Senhor em Houston,
no Texas. O pastor Charles Parhan, que havia recebido o
batismo com o Espírito Santo e falado em línguas
em uma oração solitária, porém
piedosa e verdadeira, quando buscava um avivamento para
o ministério que o Senhor lhe confiara, fez uma oração
especial recebeu também o “dom” do Espírito
Santo e falou em outras línguas no ano de 1901.
Parhan enviou Seymour para estudar em Topeka, Kansas, na
Escola Bíblica Betel. Apesar da dificuldade, tendo
a pobreza e o fato de ser negro como barreiras (em um país
que até os dias de hoje cultiva o segregacionalismo),
enfrentou preconceitos sociais e raciais, mas o pastor venceu!
Ao terminar seus estudos, foi convidado a pregar numa igreja
Nazarena em Los Angeles, Califórnia. Quando o povo
ouviu sua doutrina pentecostal, pediu a Seymour que saísse
da igreja. Assim, alugou um templo abandonado da Igreja
Metodista, no centro de Los Angeles (Azusa Street, 312),
local onde cairia de novo o Espírito Santo!
Iniciou um trabalho diferente. Seus cultos eram “vivos”,
“carismáticos”, com pregações
simples, porém diretas. Mensagens centradas na promessa
da efusão do Espírito Santo. Crendo e pregando
sobre a cura divina, o batismo com o Espírito Santo
e a salvação das almas, mediante a aceitação
de Jesus Cristo com Salvador pessoal, inflamou uma geração.
O fervor dos cultos daquela igreja acabou chamando a atenção
dos meios de comunicação. Jornais começaram
a falar sobre os “fenômenos” que ocorriam
naquelas reuniões. A notícia se espalhou e
o “vento” do Espírito soprou forte, e
a nação americana recebeu uma grande “chuva”
de avivamento.
“Azusa
Street, o Jerusalém Americano, foi assim que ficou
conhecida! O ano foi 1906. Los Angeles tinha uma população
de 228.298 pessoas. A época foi de grandes modificações
sociais. A América estava se transformando de país
agrícola para um país industrial. Os ventos
de incerteza estavam soprando em todos os setores da sociedade.
Todos os historiadores do pentecostalismo são unânimes
em dizer que o derramamento do Espírito Santo nessa
igreja humilde de negros em Azusa Street marcou o início
dos movimentos pentecostais. As reuniões continuaram
durante três anos, sem cessar. Todos os dias, pessoas
de todas as igrejas e classes sociais superlotavam o ‘barracão’.
O Rev. Seymour pregou poucas vezes e passou a maioria do
tempo com sua cabeça dentro de uma caixinha de sapatos
em baixo do púlpito para ‘não atrapalhar
o que o Espírito Santo estava fazendo’.”
Rev. Robert MacAlister, em A Experiência Pentecostal,
pp.19, 20
Em dois anos,
a igreja de Seymour já contava com missionários
que percorriam diversos países, chegando a pregação
pentecostal até o continente europeu. Na Suécia,
próximo a um Seminário Teológico Batista,
uma tenda dos “barulhentos” (apelido dados aos
pentecostais) fora erguida, e cultos começaram a
acontecer. Novamente a curiosidade do povo fazia afluir
centenas de pessoas para aquela reunião de curas
e maravilhas. Dois pastores batistas, suecos, Gunnar Vingren
e Daniel Berg, buscam e recebem a promessa do Espírito
Santo. Partem em uma viagem para os Estados Unidos, onde
fariam uma espécie de “mestrado em pentecostalismo”.
Vingren começou, então, a pregar sobre esse
assunto nas igrejas batistas de Menomines (Michigan) e South
Bend (Indiana). Em South Bend, Vingren encontrou-se com
Daniel Berg. Reunidos na casa de Adolfo Uldin, Vingren e
Berg resolveram viajar para o Brasil. Após uma vigília
de oração, Deus revelou em visão ao
irmão Adolfo Uldin o nome “Pará”,
nem sabiam onde ficava, mas ao comando da voz de Deus, era
o lugar para onde deveriam se dirigir e pregar o Evangelho.
Os dois suecos embarcam num navio cargueiro em Nova York
em 5 de novembro de 1910, chegando em Belém do Pará.
Sem dinheiro algum, os dois estrangeiros ficaram hospedados
no porão da Igreja Batista. No ano seguinte, quando
um deles havia dominado em parte a língua portuguesa,
num sermão fervoroso a respeito da promessa do batismo
com o Espírito Santo, provocam um “escândalo”
no rebanho batista, que acaba por expulsá-los. Em
6 de janeiro do mesmo ano, 1911, uma crente batista brasileira
chamada Celina de Albuquerque crê, busca e recebe
a promessa orando em outras línguas. Em 13 de junho
de 1911, a Igreja Batista desligou a maioria dos membros
que diziam crer no batismo do Espírito Santo. Os
desligados passaram a se reunir em uma casa, onde foi realizado
o primeiro culto oficial das Assembléias de Deus
no Brasil.
A igreja Pentecostal Congregação Cristã
no Brasil teve inicio semelhante. Seu fundador, o italiano
Louis Francescon, deixou a igreja católica para unir-se
aos presbiterianos em 1907, em Chicago, EUA. Mas, em 1910,
foi “selado pelo Espírito Santo”, segundo
ele mesmo conta. Resolveu ser missionário e, juntamente
com outro italiano, foram para a Argentina. Poucos meses
mais tarde, seguiram para São Paulo, onde Francescon
foi convidado a pregar na Igreja Presbiteriana. A maioria
rejeitou a mensagem, e um dos Anciãos ordenou que
os dois se retirassem. No entanto, alguns presbiterianos
que aceitaram as idéias deixaram a igreja com ele
e deram inicio à Congregação Cristã
no Brasil, em 1911.
Na década de 1930, os pentecostais já haviam
estabelecido igrejas em todos os Estados brasileiros. No
início da década de 50, Harold Williams, um
missionário da Igreja do Evangelho Quadrangular,
dirigiu reuniões de cura em muitas igrejas pentecostais
independentes. Entre elas, a mais importante foi a igreja
Pentecostal O Brasil para Cristo, iniciada por Manoel de
Melo, na metade da década de 50. Hoje, mais de 70%
de todos os protestantes no Brasil são pentecostais.
De lá para cá, apareceram inúmeras
denominações pentecostais, das quais destacam-se
pela data da fundação:
• 1951: Igreja do Evangelho Quadrangular
• 1955: Igreja o Brasil para Cristo
• 1962: Igreja Deus é Amo , fundada pelo missionário
Davi Miranda
E um novo grupo que surgiu, denominado neopentecostais,
constituído por comunidades evangélicas independentes,
entre as quais as mais importantes:
• 1977: Igreja Universal do Reino de Deus, fundada
pelo Bispo Edir Macedo
• 1980: Igreja Internacional da Graça, fundada
pelo missionário R. R. Soares
Estes “novos pentecostais” (membros das comunidades
evangélicas, Universal do Reino de Deus etc.) comumente
têm sido pessoas não integrantes às
denominações pentecostais tradicionais. E
o neopentecostalismo tem conquistado terreno entre os protestantes
desde 1953, e entre os católicos romanos desde 1966.
Um grupo católico romano também afirma ter
recebido o batismo do Espírito Santo, que assume
o nome de Movimento Carismático Católico,
com curas, línguas estranhas e tudo o mais.
“Embora o movimento pentecostal tenha começado
nos EUA no início do século XX, há
muito mais pentecostais e carismáticos na América
Latina (141,4 milhões), na Ásia (134,9 milhões)
e na África (136 milhões), muito mais do que
na América do Norte (79,6 milhões), na Europa
(37,6 milhões) e na Oceania (4,26 milhões).
Calcula-se que há 523 milhões de pentecostais
hoje em dia, o que significa 27,7% de todos os cristãos.”
(Revista Ultimato, dezembro/2000)
Os carismáticos criticam vigorosamente o formalismo,
o institucionalismo e a liturgia espiritual de suas igrejas
de origem. Por isso, o neopentecostalismo tem-se apresentado
como solução para esses problemas, prometendo
às igrejas católicas e protestantes a fonte
de reavivamento, a nova “Reforma” e o derramamento
da chuva, assim chamada pelo profeta Joel de Serôdia.

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